{"id":9444,"date":"2018-12-26T14:12:24","date_gmt":"2018-12-26T17:12:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.taglivros.com\/bloghlg\/entrevista-j-p-villalobos-e-o-coracao-e-um-cacador-solitario\/"},"modified":"2018-12-26T14:12:24","modified_gmt":"2018-12-26T17:12:24","slug":"entrevista-j-p-villalobos-e-o-coracao-e-um-cacador-solitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/taglivros.com\/blog\/entrevista-j-p-villalobos-e-o-coracao-e-um-cacador-solitario\/","title":{"rendered":"Entrevista: J. P. Villalobos e &#8220;O cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um ca\u00e7ador solit\u00e1rio&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Curador de dezembro da <a href=\"https:\/\/site.taglivros.com\/curadoria\/\">TAG Curadoria<\/a>, o escritor mexicano J. P. Villalobos nos concedeu entrevista exclusiva sobre a carreira liter\u00e1ria e sua indica\u00e7\u00e3o para o clube, o livro &#8220;O cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um ca\u00e7ador solit\u00e1rio&#8221;, de Carson McCullers.<\/p>\n<p><strong>TAG &#8211; Que marcas a l\u00edngua portuguesa e a literatura brasileira deixaram em sua escrita?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Juan Pablo Villalobos &#8211;<\/strong> Mais do que uma influencia lingu\u00edstica do portugu\u00eas na minha literatura, o que deixou e continua a fazer uma influ\u00eancia importante na minha obra \u00e9 a literatura brasileira. Tamb\u00e9m o contato cotidiano com a l\u00edngua, j\u00e1 que eu falo, escrevo e leio em portugu\u00eas, mas especialmente a literatura. Eu acabei virando um tradutor de literatura brasileira, tive a honra de traduzir os romances do Raduan Nassar, por exemplo, e ningu\u00e9m volta o mesmo depois de traduzir o Raduan Nassar. Toda a complexidade da sua literatura, sua sintaxe, linguagem po\u00e9tica, obviamente significam uma influ\u00eancia na minha escrita. Tamb\u00e9m consegui encontrar autores que viraram uma refer\u00eancia pelo tipo de literatura que fazem, que eu gosto e considero interessante. Minha grande descoberta da \u00e9poca em que morei no Brasil foi o Campos de Carvalho, um autor meio esquecido no Brasil que escreveu romances muito absurdos e humor\u00edsticos que \u00e0s vezes s\u00e3o qualificados como surrealistas, mas que s\u00e3o romances maravilhosos, geniais, que viraram uma refer\u00eancia na minha est\u00e9tica e na minha maneira de entender a literatura.<\/p>\n<p><strong>\u201cMinha conclus\u00e3o atual (que mudar\u00e1 com certeza no futuro, j\u00e1 que o pensamento n\u00e3o \u00e9 uma pedra) \u00e9 que o Brasil e o M\u00e9xico s\u00e3o aparentemente parecidos, ou seja, eles t\u00eam uma semelhan\u00e7a s\u00f3 superficial\u201d, voc\u00ea disse em uma entrevista ao <em>Jornal Rascunho<\/em> em 2014. E agora, como voc\u00ea enxerga essa semelhan\u00e7a \u201csuperficial\u201d entre os dois pa\u00edses?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Villalobos &#8211;\u00a0<\/strong>Certamente, o Brasil e o M\u00e9xico tem problem\u00e1ticas parecidas, como os atrasos educativos, sociais, de sa\u00fade, de acesso \u00e0 cultura&#8230; S\u00e3o sociedades com diferen\u00e7as sociais muito amplas, que apresentam uma grande concentra\u00e7\u00e3o da riqueza e muita gente na pobreza extrema. Isso faz com que a situa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses pare\u00e7a similar, e eu acho que na verdade \u00e9 um engano. Quando voc\u00ea analisa a hist\u00f3ria dos dois pa\u00edses, politicamente falando, eles passaram por processos muito diferentes, desde a independ\u00eancia, e depois no s\u00e9culo 20. O Brasil passou por uma ditadura que o M\u00e9xico n\u00e3o teve \u2013 mas que de um ponto de vista tamb\u00e9m foi autorit\u00e1rio, quase uma ditadura. Pra falar a verdade, o Brasil e o M\u00e9xico s\u00e3o dois pa\u00edses que, apesar das semelhan\u00e7as, eles desde sempre preferiam se colocar de costas um para o outro. N\u00e3o fazem trabalho colaborativo, n\u00e3o t\u00eam uma hist\u00f3ria em comum, seus relacionamentos diplom\u00e1ticos, pol\u00edticos e culturais s\u00e3o muito fracos. A literatura brasileira \u00e9 muito pouco conhecida no M\u00e9xico, e a mexicana \u00e9 pouco conhecida no Brasil. L\u00f3gico que tem algumas quest\u00f5es culturais que s\u00e3o mais relevantes por causa do <em>mainstream<\/em>, como a m\u00fasica brasileira e quest\u00f5es relacionadas ao futebol, que s\u00e3o muito conhecidas no M\u00e9xico. No Brasil, o que chega \u00e9 a cultura popular mexicana, como cantores populares, programas de televis\u00e3o, comida&#8230; mas esses relacionamentos poderiam ser muito mais estreitos, seria muito proveitoso para os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>Atualmente, voc\u00ea reside em Barcelona. Sob uma perspectiva latino-americana, quais s\u00e3o as diferen\u00e7as de ser um imigrante no Brasil e na Espanha?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Villalobos &#8211;\u00a0<\/strong>A condi\u00e7\u00e3o de imigrante que eu tive no Brasil foi muito relativa porque eu sou casado com uma brasileira, tenho dois filhos com ela, e eu morei em Campinas, uma cidade n\u00e3o t\u00e3o grande, tinha uma fam\u00edlia brasileira, amigos brasileiros&#8230; n\u00e3o era um contexto \u201cnormal\u201d para um imigrante. Normalmente o imigrante est\u00e1 sozinho, sua vida \u00e9 chegar e n\u00e3o ter uma rede que o acolhe. Quanto a Barcelona, al\u00e9m da minha esposa, dos filhos e eu, n\u00f3s criamos uma rede de amigos que quase s\u00e3o uma fam\u00edlia, mas n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. Aqui, a gente vive a condi\u00e7\u00e3o de imigrante. Mas a minha experi\u00eancia no Brasil foi \u00f3tima, eu nunca senti uma rejei\u00e7\u00e3o. Se for para sinalizar uma diferen\u00e7a, \u00e9 positiva: a curiosidade do brasileiro de conhecer, conversar, conhecer a cultura do estrangeiro. Nunca senti discrimina\u00e7\u00e3o, mas estou falando da minha realidade, que era muito particular porque estava com uma fam\u00edlia brasileira.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea falou, em 2015, de um &#8220;boom da literatura mexicana&#8221;, com muitos autores sendo traduzidos e reconhecidos internacionalmente. De l\u00e1 para c\u00e1, o que mudou neste contexto? Como voc\u00ea enxerga o cen\u00e1rio da literatura latino-americana nos dias de hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Villalobos &#8211;\u00a0<\/strong>A literatura mexicana \u2013 e a latino-americana em geral \u2013 est\u00e3o passando por um momento de auge que se relaciona com uma maior aten\u00e7\u00e3o das editoras internacionais e com a presen\u00e7a de seus autores no cen\u00e1rio internacional, participando de festivais e de feiras do livro no mundo inteiro. Tamb\u00e9m tem a ver com programas de fomento \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o, como por exemplo aconteceu com a literatura brasileira no programa da Biblioteca Nacional que fornece or\u00e7amento pra pagar tradu\u00e7\u00f5es da literatura brasileira para outras l\u00ednguas. Esses tipo de programas existem no M\u00e9xico, Col\u00f4mbia e em outros pa\u00edses, e isso faz com que seja mais f\u00e1cil que a literatura viaje. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m existe um interesse em particular pela literatura que tenha a ver os livros em si, ou seja, seu valor liter\u00e1rio. Desse meu ponto de vista, a literatura anglo-sax\u00f4nica em particular \u00e9 muito homog\u00eanea. Escritores americanos e ingleses s\u00e3o muito realistas, tem um tipo de literatura \u2013 desse meu ponto de vista, insisto \u2013 pouco imaginativo e pouco arriscado em termos formais. E isso, para os escritores latino-americanos, continua sendo importante, ou seja, o risco formal, a procura de novas formas, novos caminhos, a tentativa de escrever alguma coisa nova e \u201csuperar\u201d o que j\u00e1 foi escrito. Agora a gente est\u00e1 no momento n\u00e3o s\u00f3 posterior ao <em>boom<\/em> latino-americano, mas tamb\u00e9m dos que vieram depois deles como o grande Roberto Bola\u00f1o. N\u00f3s, escritores que nascemos na d\u00e9cada de 70, j\u00e1 estamos fazendo a literatura p\u00f3s-Bola\u00f1o. Ent\u00e3o, esse interesse das editoras internacionais e institui\u00e7\u00f5es culturais pela literatura latino-americana tem a ver com o fen\u00f4meno de achar que ela ainda tem coisas novas para mostrar e n\u00e3o s\u00f3 a repeti\u00e7\u00e3o de um modelo realista, <em>costumbrista<\/em>, no modelo da literatura anglo-sax\u00f4nica.<\/p>\n<p><strong>O narrador de <em>Te vendo um cachorro<\/em> (2013), se chama Teodoro, homenagem a Theodor Adorno, autor de uma frase muito especial para voc\u00ea: \u201cA arte avan\u00e7ada escreve a com\u00e9dia do tr\u00e1gico\u201d. Um das principais caracter\u00edsticas de sua obra \u00e9 o tom ir\u00f4nico, tragic\u00f4mico. Quais s\u00e3o os objetivos e efeitos que procura ao utilizar este estilo narrativo? Pode-se dizer que \u00e9 um estilo da literatura mexicana?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Villalobos &#8211;\u00a0<\/strong>A literatura mexicana, como quase todas as literaturas, \u00e9 s\u00e9ria, solene. Eu diria que a literatura tem uma tend\u00eancia pra solenidade porque a cr\u00edtica e a academia consideram-na como uma coisa transcendente, sagrada, algo a se levar muito a s\u00e9rio. Portanto, parece que s\u00f3 a literatura solene, \u201cprofunda\u201d, pode ser qualificada como grande literatura. A minha vai por outro caminho. Eu tento fazer uma literatura irreverente, n\u00e3o s\u00f3 humor\u00edstica. Eu reivindico outro tipo de literatura, que tem uma grande tradi\u00e7\u00e3o na literatura universal, a mesma linha do Dom Quixote, uma tragicom\u00e9dia, que \u00e9 outra maneira de entender a literatura. \u00c9 essa ideia de que a ironia, o sarcasmo, at\u00e9 mesmo a piada tamb\u00e9m podem ser uma maneira de refletir sobre os problemas e sobre as condi\u00e7\u00f5es mais importantes do ser humano. Tudo isso pode ser refletido atrav\u00e9s do humor, n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s da reflex\u00e3o filos\u00f3fica, sociol\u00f3gica, po\u00e9tica, entendida de um ponto de vista s\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>No seu romance mais recente, <em>Ningu\u00e9m precisa acreditar em mim<\/em> (2018), h\u00e1 um personagem com o seu nome que tamb\u00e9m \u00e9 mexicano. O quanto do escritor Juan Pablo Villalobos voc\u00ea colocou no personagem Juan Pablo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Villalobos &#8211;\u00a0<\/strong>Pra falar a verdade, o Juan Pablo \u00e9 uma par\u00f3dia de mim mesmo. O que eu queria era fazer uma par\u00f3dia de um g\u00eanero muito presente nos \u00faltimos anos na literatura hisp\u00e2nica, brasileiro e mesmo internacional que \u00e9 a chamada autofic\u00e7\u00e3o. Nesses livros temos um personagem que tem o mesmo nome do autor, e o que pareceria ser uma autobiografia na verdade \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o. O que eu fa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 uma autofic\u00e7\u00e3o, mas uma par\u00f3dia desse g\u00eanero. A \u00fanica semelhan\u00e7a entre eu e o personagem \u00e9 o ponto de partida: eu sou um mexicano que estudou literatura hisp\u00e2nica e que morava no M\u00e9xico e atrav\u00e9s de uma bolsa foi fazer um doutorado em Barcelona. A partir da\u00ed, tudo \u00e9 fic\u00e7\u00e3o. A pergunta que eu me fiz para escrever esse romance \u00e9 \u201co que teria acontecido se?\u201d. Ou seja, o que teria acontecido se uma rede de narcotraficantes mexicanos tivesse me obrigado a fazer um trabalho para eles quando eu vim para Barcelona? A partir da\u00ed surge o romance. L\u00f3gico que em todos os livros, n\u00e3o s\u00f3 os autoficcionais ou autobiogr\u00e1ficos, no final das contas o autor acaba sempre falando de si mesmo, inclusive na fic\u00e7\u00e3o mais exagerada, hiperb\u00f3lica e inveross\u00edmil.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea comentou, em um post no Blog da Companhia em 2017, que escrever um romance exige um sacrif\u00edcio do escritor, enquanto leitor, que pode ser insuport\u00e1vel. Como funciona seu processo criativo liter\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Villalobos &#8211;\u00a0<\/strong>O processo criativo passa por v\u00e1rias fases. Pra mim, a primeira parte \u00e9 a que pode ser a mais sofrida. Eu n\u00e3o gosto de trabalhar com um roteiro, com um enredo, n\u00e3o gosto de trabalhar com a defini\u00e7\u00e3o dos personagens ou com a maneira como vou estruturar o romance, de ter as coisas definidas. Se eu tivesse tudo muito claro, daria em um romance previs\u00edvel, o que seria entediante para mim e principalmente para o leitor. Eu gosto de trabalhar com uma dose de imprevisibilidade, mas isso faz com que o come\u00e7o seja complicado, faz com que eu possa passar v\u00e1rios meses sem conseguir avan\u00e7ar. Por causa disso, eu reescrevo muito. Depois de escrever 40 ou 50 p\u00e1ginas, se eu percebo que n\u00e3o \u00e9 o que eu quero, largo e come\u00e7o de novo. \u00c9 um processo de reescrita que pode levar v\u00e1rios meses at\u00e9 chegar no ponto em que eu sinto que \u00e9 exatamente o que eu estava procurando. A partir da\u00ed o processo de escrita \u00e9 muito prazeroso at\u00e9 chegar ao final.<\/p>\n<p><strong>Em <em>O cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um ca\u00e7ador solit\u00e1rio<\/em>, a autora norte-americana incluiu no romance personagens marginais e exclu\u00eddos da sociedade da \u00e9poca. Fazendo um paralelo com sua obra, voc\u00ea acredita que realiza o mesmo processo ao narrar personagens incomuns?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Villalobos &#8211;\u00a0<\/strong>Eu n\u00e3o tinha pensando nesse paralelismo entre os personagens de <em>O cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um ca\u00e7ador solit\u00e1rio <\/em>e os da minha obra, mas \u00e9 verdade que s\u00e3o personagens marginais. Inclusive o meu romance <em>Te vendo um cachorro<\/em> \u00e9 praticamente uma reivindica\u00e7\u00e3o dos marginais, daqueles que s\u00e3o esquecidos, que n\u00e3o tem voz, e \u00e9 a mesma coisa que acontece com o romance de Carson Mcculers. Mas a literatura est\u00e1 cheia de personagens marginais. Eu diria que praticamente toda a literatura do s\u00e9culo 20 \u00e9 de anti-her\u00f3is e n\u00e3o de her\u00f3is. A crise da representa\u00e7\u00e3o da literatura depois das vanguardas e do holocausto \u2013 a ideia de que n\u00e3o era poss\u00edvel fazer literatura depois do holocausto \u2013, todas essas crises acabaram gerando um tipo de literatura que tem uma tend\u00eancia para os anti-her\u00f3is, personagens aparentemente perdedores, perdidos, confusos. Mas o trabalho do autor \u00e9 justamente tentar encontrar luz dentro desses personagens, encontrar o sentido da vida atrav\u00e9s do retrato desses personagens.<\/p>\n<p><strong>Carson McCullers escreveu seu primeiro livro aos dezesseis ano. Voc\u00ea diria que ainda \u00e9 poss\u00edvel um(a) jovem escritor(a) fazer sucesso no mercado editorial pela qualidade liter\u00e1ria de sua escrita?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Villalobos &#8211;\u00a0<\/strong>Eu diria que sim, mas cada vez \u00e9 mais dif\u00edcil que isso aconte\u00e7a, porque cada vez mais temos uma historia liter\u00e1ria maior. Hoje em dia \u00e9 muito dif\u00edcil fazer uma literatura ing\u00eanua, ou seja, sem conhecer profundamente a tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, as t\u00e9cnicas narrativas. Inclusive a literatura mais interessante dos\u00a0 \u00faltimos 20, 30 anos \u00e9 profundamente consciente de si mesma. Por isso, seria mais complicado que uma pessoa chegasse hoje com um romance que significasse uma novidade para o cen\u00e1rio das letras. Acho que o cen\u00e1rio mudou, mas l\u00f3gico que g\u00eanios existem, sempre aparecer\u00e3o e com certeza continuaremos a ver fen\u00f4menos parecidos com a Carson McCullers.<\/p>\n<p><strong>O que fisgou sua aten\u00e7\u00e3o em O cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um ca\u00e7ador solit\u00e1rio a ponto de indicar aos 28 mil associados do clube? Por que acredita que os leitores brasileiros deveriam conhecer a obra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Villalobos &#8211;\u00a0<\/strong>Esse \u00e9 um romance injustamente pouco conhecido. Eu o descobri no M\u00e9xico h\u00e1 uns 25 anos, quando eu estava estudando letras espanholas, e eu lembro que fiquei totalmente impactado. O livro apresentou um olhar e perspectiva in\u00e9ditos pra mim, uma galeria de personagens cativantes, muito queridos e nessa condi\u00e7\u00e3o de serem os mais esquecidos e tamb\u00e9m os mais sem voz \u2013 literalmente, j\u00e1 que o protagonista e o seu melhor amigo s\u00e3o mudos. A quest\u00e3o da oralidade, da maneira como o romance est\u00e1 escrito, sua intensidade po\u00e9tica bel\u00edssima, me impactaram muito. Eu j\u00e1 li umas 3 ou 4 vezes, \u00e9 um desses livros que voc\u00ea volta, e a cada vez voc\u00ea encontra uma outra coisa, a cada vez voc\u00ea l\u00ea com prazer e percebe que \u00e9 um livro fundamental. Um livro que, quando voc\u00ea volta a ele, por mais que voc\u00ea tenha mudado, continua tendo um encanto especial, e como voc\u00ea mudou, o livro fala coisas novas pra voc\u00ea. Esse \u00e9 um dos livros que eu mais dei de presente e que eu mais recomendei. E nunca teve uma resposta negativa ou indiferente, as pessoas sempre voltaram agradecendo, muito comovidas pelo livro. Isso \u00e9 sinal de que \u00e9 um livro que realmente pode mudar sua vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Curador de dezembro da TAG Curadoria, o escritor mexicano J. P. Villalobos nos concedeu entrevista exclusiva sobre a carreira liter\u00e1ria e sua indica\u00e7\u00e3o para o clube, o livro &#8220;O cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um ca\u00e7ador solit\u00e1rio&#8221;, de Carson McCullers. TAG &#8211; Que marcas a l\u00edngua portuguesa e a literatura brasileira deixaram em sua escrita? 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